Warhammer 40K: Uma Visão Geral do Hobby

Como o primeiro posto do nosso Guia Para Novatos, acho adequado falar um pouco sobre o hobby de maneira geral – logo o que vamos falar hoje se aplica à praticamente todo jogo de miniaturas, não apenas o Warhammer 40K.

Por que Hobby?

Chamamos os jogos de miniaturas (wargames) e o Warhammer 40K especificamente não de “jogo” ou “wargame”. Geralmente você vai ver o pessoal que joga à mais tempo se referindo à isso como o “Hobby”. Por que? Por que o 40K (assim como os demais “jogos”) não se resumem à apenas um jogo –  não é como um jogo de WAR ou banco Imobiliário, onde você abre a caixa, põe as peças na mesa e pronto, ou Magic, onde você compra as cartas, monta o baralho e senta à mesa. Num wargame tradicional, além das partidas de jogos, e toda a competitividade presente (incluindo até campeonatos), além de jogar, você também pode (ou precisa) colecionar as miniaturas, e pintá-las. Isso sem contar no universo do 40K, que é muito rico e complexo, com muitos livros e material adicional para quem gosta de pirar na leitura – prato cheio para os fãs de RPG.

Logo o hobby pode ser dividido em: jogo, colecionismo, modelismo e fluff. Vamos à eles:

Jogo

Warhammer 40K é primariamente um jogo, não tem como negar. Os demais aspectos do hobby surgiram à partir disso. Se não tivesse o jogo, não haveriam as miniaturas para serem colecionadas e pintadas. O jogador de 40K, é alguém mais ligado nas estratégias para se usar na mesa de jogo, na criação de exércitos eficazes contra todos os tipos de inimigos, em entender como as regras funcionam, para tirar o maior proveito delas para garantir o desempenho do seu exército na mesa. O jogador costuma marcar partidas regularmente, discutir regras e listas de exército na internet, e estar por dentro das últimas novidades disponíveis para seu exército e dos outros – afinal, conhecer o seu inimigo é metade da batalha 😉

Geralmente o jogador não se preocupa muito com pintura – ele pode até saber pintar um pouco, mas sua diversão com o hobby está na jogatina. Alguns nem pintam seus exércitos – só querem eles montados na mesa para jogar. Alguns pintam o mínimo necessário para que o exército fique apresentável (suas miniaturas tem uma pintura pior ou no mesmo nível das minis de Mage Knight :P)

Ele corre atrás dos últimos lançamentos em miniaturas não necessariamente para ver se elas são legais ou bonitas, mas sim para ver se elas funcionam bem na mesa, ajudando o seu exército á vencer.

A história do mundo do 40K pouco importa. Seu capítulo de Space Marines não precisa ter alguma história legal, ou personagem famoso, nem sequer fazer muito sentido na cronologia do 40K – se as regras do jogo permitem que eu use o exército que eu quero, está ótimo.

Um exército de jogo – pouquíssima coisa pintada.

Colecionismo

Muita gente é atraída pelo 40K não pelo jogo, mas pelas belas miniaturas. Também não dá para culpá-los – duvido que o 40K teria atingido o sucesso que tem apenas com as regras – tem gente até que não gosta do jogo, mas só das miniaturas. Estes são os colecionistas – eles simplesmente precisam ter todas as miniaturas que viram e babaram nas fotos. Se ele é um também um jogador, nem sequer importa se estas miniaturas são do exército com o qual ele joga – às vezes algumas minis são tão legais que queremos tê-las mesmo sabendo que nunca à colocaremos na mesa para uma partida.

Colecionistas geralmente costuma investir um tempo em pintura, pois boa parte da beleza das miniaturas está em vê-las pintadas, como naquelas fotos que babamos e nos convenceram à comprar aquela miniatura, para começo de conversa. Os com mais dinheiro e menos talento para pintura costumam até pagar para outras pessoas pintarem as minis para eles.

Variedade de miniaturas é o que não falta… dá vontade de ter todas!

Modelismo

A pintura geralmente é o que mais assusta os novatos no hobby. No nosso primeiro contato com o 40K, vemos aquelas miniaturas, com suas pinturas maravilhosas, feitos pelo time de pintores profissionais da Games Workshop – ou até mesmo nos fóruns esbarramos de tempos em tempos em caras postando pinturas fantásticas, que nos fazem pensar que qualquer mortal pode pintar como um profissional, e o que esse cara está fazendo aqui ao invés de trabalhar para a Games Worshop…

É aí que se não tivermos cuidado, podemos nos decepcionar – pintar miniaturas é fácil, mas conseguir o resultado daquelas fotos dos livros e da internet não é. Existem inúmeras técnicas, algumas absurdamente simples (como iremos ver em artigos futuros), que facilitam e muito á pintura, e garantem um efeito bem bacana e bonito na mesa. Agora, para pintar em qualidade profissional, precisa-se de dedicação. Isso exige muito tempo e paciência, o que muita gente não tem. Muitos começam no hobby querendo pintar como mestres, e ao perceberem que não é tão simples assim, acabam pegando raiva da pintura. Não precisamos pegar tão pesado, comece de leve, com pinturas simples, esquemas de cores fáceis de executar e seguindo as dicas que vamos apresentar aqui no blog, e você verá que é bem fácil ter um exército bonito com pouco esforço –  daí, fica bem mais fácil tentar aprender as técnicas avançadas e melhor com o tempo. É muito gratificante depois de um tempo comparar as primeiras miniaturas do nosso exército com as últimas, e ver como progredimos. Afinal, ninguém nasce sabendo pintar!

Pintura não é tudo: muita gente além de pintar, gosta de modificar ou até criar as suas próprias miniaturas. tem gente que prefere ainda criar cenários – prédios, montanhas e fortalezas, para que sirvam de campo de batalha para as partidas. Imaginação é o limite!

Pintar assim não é fácil – mas você chega lá!

Fluff

O que é “fluff”? Diferente de um RPG ou de livro de ficção, onde falamos do “setting” ou do universo, da ambientação da história, você verá que o pessoal do hobby chama a história, o mundo onde se passa os combates do wargame de “fluff”. Fluff é um termo inglês que significa o “recheio”, o que colocamos dentro de um travesseiro um bichinho de pelúcia para preenchê-lo e torná-lo macio. Fluff é uma gíria que significa aquele “recheio” que colocamos no jogo para ele ficar mais divertido e atraente.

Por que isso? Bem, no caso do 40K temos tanques legais, armaduras bacanas e aliens estranhos, mas quem são eles? Por que eles lutam? Por que tal arma é assim e não assado? Num wargame tradicional, os exércitos não são meras peças de xadrez – não existe simplesmente o exército “branco” contra o exército “preto”, mas sim os White Scars contra a Black Legion, os Tyranids contra os Dark Eldar, e assim por diante.

Os fãs de RPG já estão bem familiarizados com isso – numa partida de RPG, você não é apenas um guerreiro atravessando uma floresta. Você é o Samurai Kato, de Kara-Tur, atravessando a floresta de Ardeep – seu personagem tem uma história, algo aconteceu para ele acabar naquela floresta, e ele deve estar indo á algum lugar com um propósito em mente.

A diferença do wargame em comparação do RPG, é que o universo é apenas um “recheio” – enquanto num RPG você precisa saber os detalhes do mundo, do reino e da história do seu personagem para agir de acordo e “jogar” corretamente, no wargame isso não é realmente necessário – você precisa apenas saber as regras – o seu envolvimento com o mundo onde se passa o jogo vai depender apenas do seu nível de interesse. Por exemplo, os Blood Angels são Space Marines que utilizam armadura vermelha, mas ninguém pode te obrigar à pintá-los assim – você pode ter Blood Angels azuis, pretos, cor-de-rosa, ou até mesmo vermelhos! Space Marines são aliados entre si, mas nada impede que um na mesa um marine enfrente o outro até a morte.

Claro que exércitos e batalhas que façam sentido no fluff são mais bacanas – é comum se jogar uma série de batalhas recriando algum momento “histórico” do 40K, fazendo-se uma campanha – mas isso depende do seu interesse e do seu grupo de jogo em relação ao fluff.

O que não falta são livros com histórias que se passam no mundo do 40K.

Então, qual é o certo?

Então, você agora deve estar se perguntando “nossa, vou ter que aprender á jogar, pintar, e conhecer toda a história do 40K”? É claro que não! Esta é a beleza do hobby: o quanto você quer se envolver em cada aspecto do hobby cabe apenas à você. Talvez você ame as as miniaturas, mas deteste o jogo – daí você coleciona e pinta. talvez você acabe odiando pintura, mas está doido para ser o campeão dos campeonatos. Tem lugar para todos vocês no hobby. Tem gente que gosta de tudo, e você pode até ser um deles, mas só experimentando para saber!

Não entre no hobby pensando “eu só quero jogar”, ou “eu só quero pintar” – dê uma chance para o azar. Só experimentando você vai saber o que realmente te diverte no hobby. Só aprendi à curtir pintura quando comprei minhas primeiras tintas e sentei com meus amigos para uma tarde de pintura 😉

Equilíbrio: exército competitivo, bem pintado e em dia com o fluff 😉

Um comentário em “Warhammer 40K: Uma Visão Geral do Hobby

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s