Warmachine e Hordes – Primeiras impressões de Verythrax

warmahordes logo

OBS: Esse post foi Originalmente feito por Adriano Trancoso, também conhecido por Verythrax, após sua saída de nosso Grupo de Jogos e a Transferência, de permissão, o post dele acabou vindo para minha autoria(por isso não faz muito sentido ele falar que o jogo foi cortezia de Phobostothek quando eu sou o autor atual do Post). Dito isso essas são as opiniões expressas do nosso amigo, e não correspondem as impressões iniciais do CAW ou de outros membros, e nem mesmo é a opinião do mesmo hoje em dia :D.

No último fim de semana, por cortesia do phobostothek, tive a oportunidade de jogar Warmachine e Hordes pela primeira vez. Este post não é apenas uma visão geral desta partida ou um battle report, então vou começar bem do início, que é o que eu achava/sabia sobre Warmachine and Hordes (ou simplesmente WarmaHordes), para dar um pouco de contexto á vocês, para que este post possa acabar te ajudando a superar certos preconceitos que existem por aí sobre este jogo, já que eu mesmo tinha estes preconceitos.

Antes do Jogo

Eu conheço o WarmaHordes desde que os primeiros Starter Kits de Hordes foram anunciados e começaram à ser vendidos online. Dei uma olhada neles, e já que eu estava começando no 40K naquela época, qualquer coisa relacionada à miniaturas me interessava. Então eu vi o Hordes como um possível candidato à jogo para se comprar e colecionar. Eu gostei da idéia de monstros se enfrentando em batalhas skirmish, mas as miniaturas e os temas dos exércitos não tinham nenhum apelo para mim. Eu sei que aparência não é tudo, mas eu simplesmente não consigo colecionar minis que não gosto só por causa do gameplay.

À medida que o tempo foi passando, vi várias coisas que me fez considerar Hordes e Warmachine novamente, de tempos em tempos – quando Warmachine foi anunciado, eu adorei o tema com paixão – robôs gigantes movidos à vapor e controlados por magia? Quero sim, por favor! Este era finalmente o tema que me faria querer jogar um jogo de fantasia, afinal (eu sempre achei os jogos de fantasia medieval tinham temas e designs muito derivativos, o que me fez sempre preferir os jogos de ficção científica, e Warmachine poderia finalmente mudar isso em mim. Mas no fim das contas, aconteceu a mesma coisa: eu adorei o background de Menoth, assim como o design de vários warcasters e unidades, mas odiei os designs dos warjacks – e já que estes são o ‘recheio’ do jogo, não consegui superar isso. Até mesmo os personagens que eram tão legais na arte do jogo haviam sido muito mal-traduzidos em miniaturas.

Nem os Space Marines tem um fetiche tão grande por shoulder pads...
Nem os Space Marines tem um fetiche tão grande por shoulder pads…

Apesar de Menoth ser o pior de todos, não consegui gostar dos designs dos warjacks como um todo, com aqueles troncos e punhos gigantescos, mas com cinturas fininhas e pernas curtas. Eles tem estilo muito desenho-animado para o meu gosto. Eu sempre imaginei capas de quadrinhos da Image ou da Top Cow com estes warjacks nas capas… Mesmo Cryx, que é a facção mais diferente das outras, parecia um esforço desperdiçado, como vários elementos de design depondo contra o design principal e diferente deste exército.

Mesmo com isso tudo, eu ainda estava disposto à dar uma chance ao jogo. Eu sempre quis um jogo de skirmish sólido como um ‘segundo jogo’ depois do 40K (posição atualmente ocupada pelo Firestorm Armada) e o WarmaHordes tem uma comunidade de fãs bem grande e leal, então sempre esperei que o jogo fosse bom, pelo menos. Mas nunca conheci alguém que o jogasse, e o preço das miniaturas parecia muito próximos dos preços praticado pela GW pro meu gosto. Até que…

Durante o Jogo

O meu amigo phobostothek tem alguns exércitos de WarmaHordes, e desde que o conheci ele falava à respeito deste jogo. No começo não estava interessado, já que eu estava mais ocupado em fazer o povo do nosso clube começar a jogar Firestorm Armada, então um terceiro jogo estava completamente fora de cogitação. Ele até pensou em vender as miniaturas dele à algum tempo atrás e só recentemente ele resolveu investir sério na idéia trazer o jogo ao nosso interesse. Ele agendou uma partida de duplas para 4 jogadores em sua casa, onde eu e ele, jogando como Circle Orboros e Legion of Everblight (Hordes) enfrentaríamos o Fozzy, usando Khador e o Gusula, usando Menoth (Warmachine), como forças de 21 pontos, aproximadamente. No fim das contas, o Gusula não pôde comparecer, então jogamos apenas eu contra o Fozzy. Veja aqui mais sobre esta partida.

No começo tivemos alguma dificuldade devido as diferentes mecânicas utilizadas no Hordes e no Warmachine. No Hordes, você ‘força’ as suas criaturas, fazendo com que elas gerem Fúria, que você pode sugar delas usando o seu Warlock, e então gastar esta Fúria para soltar magias e utilizar poderes especiais. No Warmachine, o seu Warcaster gera pontos de Foco, que precisam ser alocados nos seus Warjacks ou outras miniaturas, para que elas possam realizar ações epeciais.

WarmaHordes usa de um sistema ‘IGOUGO’ como o 40K, com a diferença de que não existem fases de movimento/tiro/assalto – cada miniatura ou unidade é ativada separadamente, e quando ativada, pode realizar todas as ações que tiver disponível – andar, atirar/lutar no corpo-a-corpo/soltar magias e tudo mais.

Em ambos os jogos você pode usar estes pontos de Fúria/Foco para melhorar seus ataques, tornando-os mais fáceis de acertar e/ou causar dano ao inimigo, para soltar magias e para realizar as ações especiais e exclusivas de cada miniatura. isso nos leva à um dos elementos principais do WarmaHordes: a ordem de ativação. O seu Warlock/Warcaster tem uma área de controle, que define a distância até onde você consegue usar Fúria/Foco em suas unidades. Se uma miniatura estiver fora da sua área de controle, você não pode forçá-la ou dar Foco para ela. Logo você precisa prestar atenção em quem você vai ativar e mover antes, para que a(s) unidade(s) estejam em alcance e possam soltar magias e poderes, ou até dar um boost em outras miniaturas em alcance á media que você avança. Esta simples idéia traz MUITA estratégia para a mesa, onde uma simples decisão de andar ou correr com uma única miniatura pode significar a diferença entre a vitória e a derrota.

Outro aspecto que vi no jogo é que o combate corpo-a-corpo é uma parte GRANDE do jogo. Bem, isso geralmente é o esperando ao se tratar de jogos de fantasia, já que unidades de longo alcance costumam ser a exceção ao invés da regra. É claro que existem unidades e facções que ‘atiram’ mais, mas na maioria das vezes o jogo será decidido uma briga grande e generalizada no centro da mesa. Mas isso não significa que o jogo é repetitivo ou muito simples – em WarmaHordes, cada polegada que você decide andar faz diferença. Existem vários combos e boosts que podem ser feitos por ter unidades amigas em contato base-a-base, poderes que afetam unidade amigas em uma certa área, prioridade de alvos e decidir quando duas ou mais unidades devem se juntar para enfrentar um adversário maior ou simplesmente evitá-lo. Apesar do combate à distância ser um tanto similar ao WFB ou ao 40K, o combate corpo-a-corpo é mais parecido com xadrez.

Isso dá uma falsa sensação de falta de profundidade ao jogo, já que as grandes estratégias de deployment e movimento indireto parecem ser inúteis numa escala skirmish, mas no WarmaHordes o nível de micro-gerenciamento em cada combate menor mais que compensa por isso.

Eu acabei perdendo a batalha, já que joguei o jogo muito como quem joga 40K – focando em quem precisa chegar na frente, quem precisa ficar em cover, desviar da força principal para tentar assassinar o Warcaster inimigo pelas costas, e tentando matar os Battle Mechanics (uma unidade que conserta Warjacks) à distância para evitar que eles consertassem aqueles Heavy Warjacks toda hora. Com isso, a minha força ficou muito dispersa, e quando eu consegui colocar todo mundo em curta distãncia do inimigo e ao alcance para que o meu Warlock pudesse ao mesmo tempo dar um buff no meu exército com magias e poderes, já era tarde demais e os 2 Heavy Warjacks de Khador acabaram comigo.

Você pode ver algumas fotos desta combate aqui.

Depois do Jogo

Bem, eu realmente gostei do jogo, mesmo tendo perdido a partida. As mecânicas do jogo são bastante elegantes e apesar do Warmachine e Hordes dividirem as mesmas mecânicas básicas, cada um funciona de forma contrária ao outro, com o Hordes permitindo correções na estratégia ‘on the go’, decidindo quando gerar e quando usar a Fúria de forma quase livre, enquanto o Warmachine foca no planejamento prévio à cada turno, com menos espaço para erros, mas com efeitos mais devastadores, se você não for capaz de anular ou impedir as ações do seu oponente de alguma forma.

Como toda estas informações que aprendi sobre o jogo, comecei à estudar um pouco de WarmaHordes, e descobri umas coisas interessantes. Apesar de já ter descoberto por conta própria a importância de dominar a ordem de ativação para maximizar a força do meu exército, acabei aprendendo que o WarmaHordes leva este conceito muito mais longe, com várias das facções trabalhando com sinergia de unidades, com combos malucos de boosts sendo possíveis. Algumas facções tem unidades com poderes que complementam outras unidades, enquanto outras ganham bônus só por estarem presentes na mesma lista de exército. Isso segue em níveis absurdos, com você podendo soltar uma magia com o seu Warcaster, dando um boost em todas as suas unidades em alcance, somando-se com os poderes das unidades em si, além de somar os boosts de outras unidades próximas, e finalmente utilizando todas elas em conjunto contra uma unidade inimiga específica.

Isso dá um nível profundo de estratégia ao jogo, já que tudo que você faz importa. Você não precisa decidir se vai por um ou dois lança-mísseis num squad de 10 Space Marines, ou como mover um Land Raider para dar cover para as suas tropas e realizar um ataque, mas ao invés disso você vai gerenciar polegadas de movimento e ordens de ativação específicas e combos de magias para derrotar seu inimigo com um ataque bem orquestrado. O jogo geralmente funciona assim: você precisa atacar primeiro, e atacar forte – se você falhar, o contra-ataque vai ser terrível e você provavelmente vai perder a batalha.

Ao investigar sobre as facções atuais de WarmaHordes, estou disposto a dar uma chance ao jogo, ficando no Hordes por enquanto, já que as regras de Fúrias me parecem mais versáteis do que as regras de Foco do Warmachine, o que me parece uma melhor escolha sendo novato no jogo. E é claro, continuo achando a maioria dos Warjacks feia de doere isso com certeza tem influência nesta decisão.

Dando uma olhada nos livros, uma das coisas que mais gostei foram as Theme Forces – se você se prender à usar um único Warlock na sua lista, você pode focar a lista em algumas unidades com fluff específico, criando uma força de combate que recria uma força regional ou histórica do mundo do WarmaHordes. Alguns Warlocks são de certas regiões, e preferem comandar certas unidades do que outras. Desta forma, se certos critérios de composição do seu exército forem cumpridos, você pode receber poderes especiais e bônus, divididos em Tiers, que variam de 1 a 4. Desta forma você pode balancear uma lista baseada em fluff, com um único Warlock, contra uma lista ‘vale-tudo’, que contenha múltiplos Warlocks.

Essa miniatura é bem mais bonita...
Essa miniatura é bem mais bonita…
SAMSUNG
…que essa, com certeza!

Eu nunca gostei do Circle Orboros, com todos aqueles lobisomens e aquele tema de Mãe Natureza, mas gosto de como a facção acabou se desenvolvendo, desde o meu primeiro contato com o Hordes até agora, com unidades de Constructs e os Tharn, permitindo a criação de listas bem bacanas e distintas para se colecionar. Os Minions, a facção de mercenários do Hordes, também possuem várias unidades bacanas, que podem ser usadas como aliadas por qualquer facção do Hordes, ou formar um exército por si só, com suas próprias Theme Forces. Eu também gostei do visual dos Skorne, mas odiei aqueles Warbeasts que parecem sapos de olhos esbugalhados que eles tem.

Esta é uma miniatura bem bacana...
Esta é uma miniatura bem bacana…
...mas essa não é.
…mas essa não é.

Apesar de não me ver começando um exército de Warmachine tão cedo (apesar de estar paquerando os Retribution of Scyrah por algum tempo), tenho quase certeza que de isso irá mudar quando a facção Convergence of Cyriss for lançada. Eles são meio que os ‘Necrons’ do WarmaHordes, mas tem um visual clockwork que é muito mais bacana do que qualquer coisa já lançada para Warmachine até agora, na minha opinião. Na verdade, talvez eu até comece à colecioná-los primeiro, se eles acabarem sendo lançados antes que eu comece à comprar as minis do Hordes 🙂

Vector (Warjack) da Convergence of Cyriss
Vector (Warjack) da Convergence of Cyriss

Outro aspecto importante é que o 40K está caindo da posição de ‘jogo principal’ para se tornar ‘o jogo de vez em quando’ aqui no nosso clube – a maioria dos nossos jogadores com exércitos completos de 40K não tem jogado muito, e a logística envolvida para agendar uma partida de 40K tem sido maior que o nosso tempo disponível pra jogar. Até mesmo wargames de tabuleiro têm ganhado espaço por aqui (temos Crusader Rex, Samurai Battles e Commands And Colors à caminho, falaremos deles em breve aqui no blog), logo há espaço para um jogo de miniaturas mais complexo que o Firestorm Armada para ser preenchido.

Post escrito por um dos fundadores do CAW:

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Um comentário em “Warmachine e Hordes – Primeiras impressões de Verythrax

  1. Bom, vamos lá… Explicar um war game é mais ou menos igual a explicar um RPG. Muita subjetividade e para os que não são do ramo é quase impossível de se fazer intender, mas vamos lá…

    O antes
    Eu tinha uma idéia da “filosofia” do Warmachine. De um mago tecnológico controlando máquinas de guerra. Mas durante a partida percebi que não passava de uma filosofia.

    Foi uma partida entre The Protectorate of Menoth e Khandor. Já imaginava que seriam clérigos contra força bruta, e que a força bruta seria mais fácil de jogar.
    Não sou muito bom em ler regras e depois tentar aplica-las no tabletop. Prefiro ir testando e aprendendo.
    O durante
    Inicialmente, foi inegável as muitas comparações entre o Warhammer e o Warmachine. Este foi o problema. São jogos bastante distintos. Pra começar que no Warmachine o figth é mais “caloroso”. No final das contas todos vão entrar em contato e a administração dos focus do warcaster é vital para ganhar a batalha.
    Outro ponto marcante são os poucos dados rolados. Dois. Fica muito mais fácil e direto.
    Além do que cada unidade faz tudo, anda, atira ou ataca. O que facilita muito a vida.

    O depois
    Entendo como estratégia a visão9 do macro dos objetivos principais. E entendo por tática a administração local do que acontece.

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