Warmachine e Hordes: Uma Visão Geral do Hobby

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Como o primeiro posto do nosso Guia Para Novatos para Warmachine e Hordes(ou WarmaHordes), acho adequado falar um pouco sobre o hobby de maneira geral, esse post segue a mesma estrutura e idéia inicial do Guia de Novatos para o Warhammer 40k que fizemos nas transições de Quinta para Sexta edições, os guias de novatos são adequados para a Sétima, embora algumas coisas tenham mudado, como a estrutura de exércitos.

OBS: Warmachine e Hordes são jogos de Miniatura produzidos pela Privateer Press. Esses jogos possuem um sistema similar em muitas partes, com algumas mecânicas diferentes e normalmente são jogados em conjunto, seja Warmachine vs Warmachine, Hordes vs Hordes ou Warmachine vs Hordes. Lembrando que se você chegar a comprar qualquer faction de um ou outro jogo, você poderá jogar contra seus amigos sem muitos problemas (embora vocês tenham de aprender as regras específicas de ambos para poder jogar).

Por que Hobby?

Chamamos os jogos de miniaturas (Miniature Wargames) e o WarmaHordes especificamente não de “jogo” ou “wargame”; geralmente você vai ver o pessoal que joga à mais tempo se referindo à isso como o “Hobby”. Por que? Por que o WarmaHordes (assim como os demais “jogos”) não se resumem apenas como um jogo assim como Boardgames ou até mesmo games eletrônicos , onde você abre a caixa, põe as peças na mesa e pronto, ou Magic: The Gathering, onde você compra as cartas, monta o baralho e senta à mesa.

Em um miniature wargame tradicional, além das partidas de jogos, e toda a competitividade presente (incluindo até campeonatos), além de jogar, você também tem o aspecto de colecionar as miniaturas, e pintá-las. Isso sem contar no universo do WarmaHordes(o mesmo presente no Reinos de Ferro[Iron Kingdoms]), que é muito rico e complexo, com muitos livros e material adicional para quem gosta de histórias e se aprofundar na leitura – prato cheio para os fãs de RPG já que Warmachine e Hordes dividem o mesmo cenário que um jogo de RPG, ou seja ao colecionar, pintar e até mesmo ler, se você também faz parte do RPG vai estar adquirindo bagagem para utilizar nos jogos de Mesa.

Mesmo que esse não seja seu caso e você não jogue o game de RPG, você poderá muito bem se divertir com as histórias e as miniaturas, não é necessário saber muito do cenário para poder jogar ou colecionar, embora, quando escolher um exército possivelmente você irá procurar mais sobre a história dele e irá ler sobre o mesmo(se já não o tiver feito).

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Logo o hobby pode ser dividido em: jogo, colecionismo, modelismo e fluff/lore. Vamos à eles:

Jogo

Warmachine e Hordes são primariamente jogos, não tem como negar. Os demais aspectos do hobby surgiram à partir disso. Se não tivesse o jogo, não haveriam as miniaturas para serem colecionadas e pintadas. O jogador de Warmachine ou Hordes, é alguém que geralmente procura fazer listas coesas e com bastante sinergia, as mesmas farão parte da estratégia em mesa de jogo, a criação da sua lista é uma grande parte do processo estratégico. Além disso os livros nos dão opções para nos beneficiar de bônus para certas listas baseadas dos Warcasters/Warlocks que escolhemos(As famosas Tier Lists), restringindo certas opções mas bonificando essas mesmas. Alguns nem mesmo ligam para os Tiers e tentam montar as listas mais eficazes dentro de todas as possibilidades que tem ao seu alcance. Esse já é um aspecto que aumenta bastante o colecionismo, afinal, quanto mais opções você tiver ao seu alcance, mais listas loucas você poderá montar. Isso não significa que você não pode criar uma lista muito boa previamente e utilizar apenas algumas opções. Deveras temos ótimos jogadores aqui que jogam e tem em mente a economia, mas isso requer disciplina na hora de montar as listas, e muito leitura :D.

Conhecer seus inimigos é algo realmente importante também, quanto mais souber das listas inimigas e o que você pode enfrentar, menos surpreso você ficará. Essa é uma das vantagens de ser uma pessoa mais veterana e ter enfrentar alguns exércitos e listas diferentes :), você fica muito menos surpreendido.

Os jogadores hardcore, podem não ligar muito para pintura, eles podem pintar no que chamamos de Nível Tabletop (aquele nível que a miniatura fica muito bonita vista a distância na mesa), mas existem obviamente suas exceções.

A pessoa que tem o foco no jogo, geralmente está sempre antenada nos novos lançamentos e entendendo onde e se eles podem se encaixar na sua lista atual, sempre tentando entender os novos combos de outras Factions e entendendo mais sobre o jogo conforme ele evolui.

Colecionismo

Algumas pessoas são atraídas ao Warmachine e Hordes não pelo jogo, mas pelas majestosas miniaturas. A Privateer Press entrou no mercado com uma premissa diferente das companhias, eles iniciaram em uma escala um pouco maior e mais imponente. Anteriormente as miniaturas deles estavam um pouco atrás dos padrões do mercado em questão de sculpt, mas nos dias de hoje, os sculpts são tão belos ou melhores que de diversas companhias. O tamanho das miniaturas e o nível de detalhes nelas faz com que a pintura seja facilitada, e pintores com maior experiência conseguem fazer esses detalhes saltarem nas miniaturas.

O colecionismo das mesmas pode se dar através do RPG Reinos de Ferro(publicado recentemente em PT-BR pela Jambô), afinal, ter mais miniaturas para poder utilizar no rpg sempre é uma boa.

Geralmente o aspecto da estética é o primeiro a ser visto por um jogador para se escolher uma facção, e nesses anos jogando Warmachine e Hordes já vi jogadores pendendo para ambos lados, os argumentos são muitos, principalmente apontando para miniaturas(ex: “Como poderia escolher Warjacks, vendo esses Monstrões gigantes(Warbeasts)?”). Seja qual for o motivo, algumas pessoas tem a necessidade de ter diversas miniaturas de vários exércitos por que gostam da estética das mesmas. Aqui no Brasil não é uma prática muito comum, mas normalmente pessoas que são colecionadoras, pagam para estúdios pintarem suas miniaturas para deixa-las a um nível muito bom de exposição.

Embora colecionistas geralmente costuma investir um tempo em pintura, pois boa parte da beleza das miniaturas está em vê-las pintadas, como naquelas fotos que babamos e nos convenceram à comprar aquela miniatura, para começo de conversa.

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Modelismo

A pintura geralmente é o que mais assusta os novatos no hobby. No primeiro contato com qualquer jogo de Miniaturas é comum ver aquelas miniaturas super bem pintadas de pintores profissionais e esquecer que eles levaram muito tempo, tem as ferramentas corretas e tiveram instruções necessárias para pintar do jeito que pintam. As vezes no contato com fóruns, vemos pintores super competentes e acreditamos ser impossível pintar. Se você me der uma folha de papel para desenhar eu vou saber rabiscar, se me der uma tela para pintar, sairá algo mega abstrato, mas com um pouco de treino eu consegui pintar miniaturas. Obviamente todo conhecimento com arte pode ser reutilizado, porém acredite, mesmo que você não tenha muitos conhecimentos, você só precisa de instrução, instrumentos, tempo e paciência. Ao entrar no mundo do modelismo não pense que você tem dois braços esquerdos ou qualquer coisa do tipo, nós somos muito limitados pelos nossos próprios pensamentos e como agimos, logo ao entrar no hobby, leita bastante, assista bastante tutoriais na internet, compre um kit e tente fazer você mesmo(obviamente se você estiver disposto a se tornar alguém de renome nessa área ou mesmo pintar bem).

É aí que se não tivermos cuidado, podemos nos decepcionar – pintar miniaturas é fácil, mas conseguir o resultado daquelas fotos dos livros e da internet não é. Existem inúmeras técnicas, algumas absurdamente simples (como iremos ver em artigos futuros), que facilitam e muito á pintura, e garantem um efeito bem bacana e bonito na mesa. Agora, para pintar em qualidade profissional, precisa-se de dedicação. Isso exige muito tempo e paciência, o que muita gente não tem. Muitos começam no hobby querendo pintar como mestres, e ao perceberem que não é tão simples assim, acabam pegando raiva da pintura. Não precisamos pegar tão pesado, comece de leve, com pinturas simples, esquemas de cores fáceis de executar e seguindo as dicas que vamos apresentar aqui no blog, e você verá que é bem fácil ter um exército bonito com pouco esforço –  daí, fica bem mais fácil tentar aprender as técnicas avançadas e melhor com o tempo. É muito gratificante depois de um tempo comparar as primeiras miniaturas do nosso exército com as últimas, e ver como progredimos. Afinal, ninguém nasce sabendo pintar!

Pintura não é tudo: muita gente além de pintar, gosta de modificar ou até criar as suas próprias miniaturas. tem gente que prefere ainda criar cenários – prédios, montanhas e fortalezas, para que sirvam de campo de batalha para as partidas. Imaginação é o limite!

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Fluff/Lore

O que é “fluff”? Diferente de um RPG ou de um livro de ficção, onde falamos do “setting” ou do universo, da ambientação da história, você verá que o pessoal do hobby chama a história, o mundo onde se passa os combates do wargame de “fluff”, as vezes você também poderá ouvir a palavra Lore. Fluff é um termo inglês que significa o “recheio”, o que colocamos dentro de um travesseiro um bichinho de pelúcia para preenchê-lo e torná-lo macio. Fluff é uma gíria que significa aquele “recheio” que colocamos no jogo para ele ficar mais divertido e atraente.

Por que isso? Bem no caso de WarmaHordes vemos inúmeros Warcasters/Warlocks, Warbeasts, Warjacks e vários Solos e Units, mas quem são eles? Por que eles lutam? Por que tal arma é assim e não assado? Num wargame tradicional, os exércitos não são meras peças de xadrez – não existe simplesmente o exército “branco” contra o exército “preto”, Khador vs Menoth ou Butcher vs Xerxis(nomes dos casters de algumas factions) e assim por diante.

Os fãs de RPG já estão bem familiarizados com isso – numa partida de RPG, você não é apenas um guerreiro atravessando uma floresta. Você é o Capitão McBain, de Tortuga, atravessando os Mares Negros – seu personagem tem uma história, algo aconteceu para ele acabar nos mares negros, e ele deve estar indo á algum lugar com um propósito em mente.

A diferença do wargame em comparação do RPG, é que o universo é apenas um “recheio” – enquanto num RPG você precisa saber os detalhes do mundo, do reino e da história do seu personagem para agir de acordo e “jogar” corretamente, no wargame isso não é realmente necessário – você precisa apenas saber as regras – o seu envolvimento com o mundo onde se passa o jogo vai depender apenas do seu nível de interesse.

Claro que exércitos e batalhas que façam sentido no fluff são mais bacanas. É possível até mesmo tentar jogar batalhas descritas nos livros, mas isso vai depender do seu grupo de jogadores e o quão ligado na história vocês são :D.

Alexia Ciannor, um dos personagens principais da Trilogia do Fogo das Bruxas, aventuras que deram início aos Reinos de Ferro.
Alexia Ciannor, um dos personagens principais da Trilogia do Fogo das Bruxas, aventuras que deram início aos Reinos de Ferro.

Então, qual é o certo?

Um dos aspectos do Hobby mais forte aqui no Brasil sem dúvidas é jogo, diria que em segundo lugar a pintura e em terceiro a História; pelos livros serem em sua maioria em inglês, algumas pessoas tem dificuldade em ler as histórias, isso é um lado positivo da Jambô ter publicado o Reinos de Ferro em português, pois muitos jogadores vão poder saber mais do Fluff do universo de Warmachine e Hordes de uma maneira mais fácil e tranquila. Obviamente os livros de Wargames são mais completos e diretos, sem dizer que focados nas histórias das miniaturas em questão e das nações que você está jogando, dessa forma, você pode ter acesso a conteúdo muito mais específico, mas se busca informações genéricas, o livro de RPG pode suprir suas necessidades, embora alguns termos tenham sido traduzidos(ex: Warjacks – Gigantes de Ferro, Warcasters – Conjuradores de Guerra), acredito que isso não seja um impedimento.

Então, você agora deve estar se perguntando “nossa, vou ter que aprender á jogar, pintar, e conhecer toda a história do Warmachine e Hordes”? É claro que não! Esta é a beleza do hobby: o quanto você quer se envolver em cada aspecto do hobby cabe apenas à você. Talvez você ame as as miniaturas, mas não goste tanto do jogo – daí você poderia colecionar e pintar. Talvez você acabe odiando pintura, mas está doido para ser o campeão dos campeonatos. Tem lugar para todos vocês no hobby. Tem gente que gosta de tudo, e você pode até ser um deles, mas só experimentando para saber!

Não entre no hobby pensando “eu só quero jogar”, ou “eu só quero pintar” – dê uma chance para o azar. Só experimentando você vai saber o que realmente te diverte no hobby. Só aprendi à curtir pintura quando comprei minhas primeiras tintas e sentei com meus amigos para uma tarde de pintura 😉

Para fazer parte de uma comunidade muito maior de jogadores de Warmachine e Hordes, nós do Campinas at War recomendamos você ir ao Warmachine Brasil no facebook. Lá você encontrará pessoas com todo tipo de aprendizado no hobby, e poderá dividir vossas experiências de uma maneira divertida, tendo obviamente o apoio de uma comunidade para tal, o que torna tudo muito mais divertido.

Warmachine Brasil

 

Atenciosamente

phobos

 

Agradeço à você por ter lido esse artigo. Entre em contato para feedbacks ou até mesmo para bater um papo ;).

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